Expectativas inteligentes

Face a esta situação, com todas estas actividades em curso, uma pergunta deve merecer especial atenção: que expectativas são razoáveis assumir como resultado de todo este trabalho? A resposta a esta pergunta é trivial.

É importante distinguir aquilo que é razoável esperar da nossa acção, daquilo que parece de todo inevitável.

É possível: isolar rapidamente os doentes sem os “excluir”; proteger os sãos daqueles que foram expostos à infecção; proteger os mais frágeis do risco de infecção, com a sua colaboração; assumir comportamentos de distanciamento social, sempre que existem indicações que o vírus circula na comunidade.

É possível: contribuir para evitar “picos” epidémicos excessivos que desorganizam a comunidade – em termos sociais, económicos e psicológicos – e que tornam a acção dos serviços de saúde muito difícil.

É possível evitar a “cidade da gripe”, deprimida, “derrotada” perante o desafio pandémico, que perdeu a confiança e a auto estima.

Não é possível: evitar a pandemia da gripe; não experimentar alguns momentos difíceis face à incidência da doença; eliminar totalmente as complicações da gripe, mesmo sabendo que elas se observam habitualmente numa percentagem muito pequena dos casos.

Não é possível fazer com que, repentinamente, o país, as instituições e as pessoas atinjam a perfeição.

É possível: aproveitar inteligentemente todo o esforço que tem vindo a ser feito a propósito da gripe para inovar, de forma a que, passadas as dificuldades trazidas pela pandemia, alguma coisa de positivo e útil fique, algum ganho haja como resultado desse esforço.

É possível, no ensino, aperfeiçoar uma nova mistura entre ensino presencial e aprendizagem à distância.

É possível adoptar novas formas de organização do trabalho, encontrando novos nichos para o tele-trabalho.

É possível desenvolver novas estratégias de comunicação nas organizações e na comunidade, criando e aperfeiçoando várias combinações de tecnologias da informação e da comunicação resultando em melhor eficácia comunicacional e aprofundando relações de confiança.

Face a um objectivo comum – ser mais inteligente do que o vírus da gripe – é possível reforçar laços solidariedade, cooperação, e pertença, “vestir a camisola” e ficar com ela vestida.

Para nos sairmos o melhor possível da pandemia de gripe é tão importante prepararmo-nos bem, como assumirmos expectativas inteligentes.

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